terça-feira, 7 de abril de 2015

O QUE VIRGÍLIO CASTELO NOS CONTA SOBRE A PATERNIDADE

Tem 62 anos é ator, autor e encenador. Começou a trabalhar aos 14 anos e pode-se dizer que é um self-made-man com uma grande veia de poeta. Foi pai pela segunda vez aos 51 anos e nesta entrevista, Virgilio Castelo fala-nos da sua experiência da paternidade e de ser pai de duas minis ao mesmo tempo que também é avô.


Nome das Minis: Violeta e Sancha

Idades: 11 e 6

Como foi a escolha dos nomes? 
A escolha foi cuidadosa, para que os nomes tivessem um significado, não só para ilustrar a vinda delas para as nossas existências, mas também e sobretudo para terem um símbolo pensado para as suas próprias vidas.

Que adjectivo darias às tuas filhas? 
A Violeta é imprevisível, e a Sancha serena.

Quais os principais valores e princípios que consideras importantes para transmitir às minis? 
A independência e a liberdade.

Qual é o maior desafio no grande papel de ser pai? 
Não ter medo de não saber tudo.

Quais as vantagens de ser pai mais tarde? E o maior desafio? 
A vantagem é a possibilidade de cometer menos erros. O desafio é encontrar energia para acompanhar o ritmo delas.

Qual a sensação de ser pai e avô quase ao mesmo tempo?
É estranha, porque a sensação de avô sai mais diluída pela presença de filhas tão pequenas. Mas no cômputo geral fica-se com a sensação de serem todas filhas.

Como te parece que vai ser esta futura geração? 
Uma geração que sabe que não se pode amar sem se ser livre, nem se pode ser livre se não se souber amar.

Qual a tua opinião sobre a expressão “Faça aquilo que eu digo mas não aquilo que eu faço”? 
Uma hipocrisia.

Antes de sermos pais geralmente achamos que nunca vai existir conflito de geração entre nós e os nossos filhos e que vamos conseguir ser uns pais modernos. Sentiste muitas vezes o contrário? 
Haverá sempre conflito. E nunca é aquele que se passou com os nossos pais. E sempre um que não estamos à espera. Por isso é que é conflito.

Consideras importante os pais incentivarem os aspetos culturais numa criança? O que costumas fazer para isso? 
Considero que o mais importante a passar aos filhos é que existe uma Lei no Universo tão verdadeira como a Lei da Gravidade ou a Lei da decomposição da matéria. Trata-se da Lei do Amor que tudo rege e tudo determina. Se as crianças, entre outras coisas, não forem ensinadas a amar a cultura, serão boçais e ignorantes e insensíveis quando forem adultas. Logo, serão inevitávelmente infelizes. Mesmo que julguem o contrário.


No que é que ser pai alterou a tua vida?
Alterou tudo. Qualquer pessoa com alguma consciencia percebe que quando se é pai nunca mais se pode invocar que se faz o que se quer porque isso não envolve ninguém. Ser pai é ser integrado na vida e no mundo.

Acompanhaste algum parto? Qual é a sensação? 
Acompanhei os dois partos das minhas filhas pequenas. Com a mais velha não foi possivel porque foi cesariana. A sensação é de tremenda responsabilidade, um momento de verdade absoluta em que tudo pode acontecer e em que nos reduzimos à potência de um grão de areia curvado perante a magnificência de todos os céus e todos os deuses.

Qual é o segredo para te manteres um pai tão jovem? 
Não tenho segredo nenhum. Tenho ido atrás da vida para onde ela me leva.


Tiveste um percurso extraordinário e és um self-made-man, quais são os ingredientes que aconselhas para alcançar os objetivos? 
Nunca dar nada por garantido.

Pretendes voltar aos ecrãs? 
Acho que nunca saí. Vou é dando prioridade a visibilidades diferentes. Umas vezes coisas mais pequenas, outras vezes maiores, papeis mais marcantes, papeis mais discretos. Não tenho uma necessidade especial de estar sempre na crista da onda. Gosto de fazer coisas por trás das câmaras e dos palcos.

O blog dos Mini-Mi é….a evidência de que as crianças são lições, para quem está disposto a aprender sempre.


Obrigada Virgilio, por partilhares connosco estas palavras diretas, sinceras e ao mesmo tempo tão inspiradoras. 



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