quarta-feira, 21 de setembro de 2016

MOGLI

Há uns dias fiz uma sessão com a Marta D'Orey.
Foi num fim-de-tarde abafado, a luz não estava a melhor mas um bom fotografo vê-se nessas alturas e o resultado está à vista. Imagens fantásticas, como sempre!

Foi um momento divertido, fomos fazer uma caça ao tesouro.
As imagens mais giras das crianças são realmente aquelas em que eles estão em pura 
diversão, em movimento e a brincarem. É claro que existem crianças que nasceram para tirar fotografias e adoram a objetiva da câmara mas cá em casa tem dias. 
O importante é que cada sessão seja uma recordação agradável para eles e também para nós.

MOGLI, foi como a Marta chamou o Tomás. Não perguntei porque, mas deduzo que seja pelo  tamanho do cabelo - que aliás levou um corte recentemente - pela pele bronzeada e pelos olhos rasgados. Confesso que a alcunha assenta-lhe perfeitamente, porque além das características físicas vejo a personagem do MOGLI como a de um menino querido e doce mas ao mesmo tempo selvagem.

O Tomás é assim, querido, doce e selvagem. Lembro-me quando era ainda um bebé, costumava ouvir frequentemente: "Tem muita personalidade".  Uma expressão que, na verdade, confesso que nunca cheguei a perceber muito bem a verdadeira conotação.

Desde então, o meu MOGLI continuou a crescer com a tal "personalidade muito forte". 
Até que um dia fui chamada pela educadora de infância que aconselhou-me a procurar a ajuda de um profissional por achar que os comportamentos dele estavam a sair fora dos padrões normais.

Na altura, o Tomás apresentava muitas dificuldades em socializar, em gerir a frustração, em perder jogos, em esperar, tinha a lateralidade indefinida e algumas questões com a fala. Levei-o aos que me pareceram os melhores especialistas e depois de ser analisado e acompanhado concluíram que o Tomás tinha um QI acima do normal e estava no limiar do Síndroma de Asparger. Isso traduz-se que com o devido acompanhamento tinha todas as hipóteses de normalizar a rigidez de certos comportamentos que apresentava.

Hoje em dia e, passado quase dois anos desde que iniciou o acompanhamento, o Tomás está muito melhor. 
Já deixou o terapeuta da fala, já tem a lateralidade definida, já socializa. Alguns sintomas foram atenuados, ainda assim continua com traços voluntariosos de comportamento que frequentemente são confundidos muitas vezes com "falta de educação". Ainda há muito trabalho pela frente. Como mãe, estou atenta e é claro que estou cá para tudo o que for necessário.

Para mim também é um desafio, uma aprendizagem a cada dia. Confesso que às vezes tenho tendência a isolar-me para "evitar incomodar" ou para "evitar ouvir rótulos" ou para "evitar ter que dar explicações". 

Partilho um pouco desta história hoje, porque acredito que a graça da vida passa por respeitar, aceitar e inclusive gostar das diferenças entre as pessoas.











O Mogli :) está uma camisa da nova coleção da Mango, calções Gap e botas Pisamonas.
Eu, com um jumpsuit e carteira da Pepe Jeans.




9 comentários:

  1. O nome assenta na perfeição, já me tinha ocorrido quando vi as primeiras fotos num outro post penso eu, ou no instagram :)
    As fotos estão uma delicia! Parabéns a fotografa e a mãe que tem um lindíssimo filho ;)
    Entendo-a tão bem quando diz que acaba por se "isolar" para "evitar incomodar" ou para "evitar ouvir rótulos" ou para "evitar ter que dar explicações". Connosco também acontece o mesmo, não por algum dos meus filhos ter o mesmo "diagnostico" do Tomás mas por serem muitos e muito seguidos. O "pânico" e a confusão instalam-se muito rapidamente onde quer que vá com os três mas eles são crianças são muito pequenos eu não vejo nada de "anormal" nisso mas confesso que por vezes é duro ver certos olhares de "desagrado e indignação" por parte de outras pessoas que se vê perfeitamente que não fazem a mínima ideia do que é a nossa vida e do quanto uma mãe se esforça para fazer dos seus filhos os melhores seres humanos possíveis!
    Gostei muito de ler este post, achei tão sincero e ao mesmo tempo tão ternurento, vê-se o amor enorme que tem pelo seu filho e vê se perfeitamente que ele não pode estar em melhores mãos!
    Um beijinho enorme para os dois e que a vossa historia continue assim, todos os dias mais uma vitoria, mais um sucesso ao lado um do outro ;)

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    1. Olá Mariana, realmente existem pessoas que não fazem ideia. Lembro-me de estar num restaurante que costumamos ir habitualmente, o Tomás tinha uns dois anos, estava a bater palmas e a mesa do lado fez logo "aquele olhar de quero almoçar em silêncio". Obrigada pelo comentário e partilha também tão sincera. bj

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  2. Cada criança é diferente. Já pensou que o seu filho pode ser indigo?

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    1. Talvez, lol. Que eu aprendo muito com ele, isso aprendo.

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  3. Que fotografias lindas, a camisa do Tomás é muito gira. Adorei o post e obrigada pela partilha. O seu filho é realmente um Mogli. Só tenho meninas, ainda vou tentar um rapaz e gostava que fosse assim, meigo e selvagem. beijinhos Filipa Matos

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  4. (Àparte o conteúdo do texto) O Tomás é tão bonito, tão cheio de pinta.
    beijinho, Ana.

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    1. A tua ruiva também. Temos que combinar um get together. Bj

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